Flor-de-São-João: a trepadeira que incendeia o inverno brasileiro

Pyrostegia venusta (Ker-Gawl) Miers – Bignoniaceae

inflorescência de flores tubulares alaranjadas de flor-de-são-joão da espécie Pyrostegia venusta
inflorescência de flores tubulares bem alaranjadas, dando para perceber na região central da flor, os estigmas bilabiados abertos.

É uma trepadeira muito vistosa, que em algumas localidades de São Paulo é também conhecida como cipó-de-são-joão.

Floresce entre abril até meados de setembro, início de outubro. Cobre muitos campos, se apoia em árvores, sendo que suas flores, ao longe, dão a impressão que o local está em chamas.

Daí vem o nome Pyros = fogo tegia =

Campo aberto coberto por cipó-de-são-joão
Flor-de-São-João no cerrado de Corumbataí, SP
Pequeno beija-flor Amazilia lactea
Pequeno beija-flor Amazilia lactea

Os polinizadores dessas flores são beija-flores.

Na cidade, os principais são os beija-flores conhecidos como Tesouras (Eupetomena macroura Gmelin, 1788) e o pequenino Amazilia lactea Lesson

Eupetomena macroura, beija-flor-tesoura
Eupetomena macroura. Beija-flor tesoura. Foto de Ananda Porto/TG. Fonte G1.

 

 

 

 

 

 

 

 

No cerrado de Corumbataí, SP, as flores são polinizadas por outra espécie de beija-flor, Phaeothornis pretrei Lesson & Dellatre conhecido com Rabo-branco-acanelado.

beija-flor conhecido como rabo-branco-acanelado. É marrom no peito e as penas da cauda são brancas.
Phaethornis pretrei conhecido como Rabo-branco-acanelado. Fonte: https://ebird.org/species/plaher1?siteLanguage=pt_BR


Beija-flor Pheothornis pretrei em flor-de-são-joão
Beija-flor Pheothornis pretrei em flor-de-são-joão, no cerrado.

Borboletas, abelhas sem ferrão do gênero Trigona (abelhas-cachorrinho) e abelhas de mel, Apis mellifera, também visitam as flores da Pyrostegia venusta, mas não promovem a polinização. São visitantes pilhadores de néctar e pólen. Alguns, inclusive, fazem um furo na base do tubo da flor para beber o néctar direto onde se acumula, sem realizar a coleta legítima. Outros insetos aproveitam o buraco aberto e também bebem o néctar de forma ilegítima. 

Um comportamento agressivo é observado nas abelhas de mel, Apis mellifera. Elas abrem com a mandíbula os botões florais prestes a se abrirem, coletando o pólen que já está disponível nas anteras. Elas forçam a abertura e se beneficiam do pólen antes mesmo da flor abrir espontaneamente.

 

Pyrostegia venusta sempre será uma planta especial para mim❣❤ . Eu fiz minha dissertação de Mestrado estudando a biologia reprodutiva dessa espécie no ambiente urbano e na Reserva de Cerrado, em Corumbataí, SP. Dados dos resultados eu mencionei no post.

 

Saiba Mais

 

 

Gobatto-Rodrigues, A.A. & Stor, M.N.S. Biologia floral e reprodução de Pyrostegia venusta (Ker-Gawl) Miers (Bignoniaceae). Rev.Bras.Bot., 15(1): 37-41. 1992.

 

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