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O QUE É POLINIZAÇÃO?

Foto por Simon Matzinger em Pexels.com

É a transferência do grão de pólen da antera (parte da flor – veja no post anterior)

para o estigma (parte feminina ♀ da flor).

Essa “viagem” dos grãos de pólen das anteras para a parte feminina da flor pode ser intermediada por vários tipos de “agentes de viagem”

Os mais conhecidos são: ABELHAS


fonte https://conhecimentocientifico.r7.com/polinizacao/

Borboletas

Foto por Nandhu Kumar em Pexels.com

PÁSSAROS – BEIJA-FLORES

Foto por Djalma Paiva Armelin em Pexels.com

MORCEGOS

Foto: Merlin D. Tuttle. National Geographic Brasil. http://www.bioorbis.org/2014/04/o-chamado-das-flores.html

Foto: Merlin D. Tuttle. National Geographic Brasil. http://www.bioorbis.org/2014/04/o-chamado-das-flores.html

Mariposas

fonte: https://darwinianas.com/2019/10/29/a-mariposa-precede-a-flor/

E há muitos e muitos outros agentes polinizadores, incluindo os abióticos, como o vento.

Esses “agentes de viagem do pólen” chamam-se POLINIZADORES.

Imagine você, agora, a megabiodiversidade desses agentes polinizadores no planeta, com tantos ecossistemas distintos, próprios de cada região, altitude, de cada hemisfério, continente, ilhas…

Foto por Cindy Gustafson em Pexels.com

Mas, não é qualquer inseto que você perceba em uma flor que, necessariamente, é o polinizador.

Ele pode ser apenas um visitante, que não realiza essa transferência do pólen para o estigma, que não é frequente e nem tem tamanho adequado à flor para prestar esse serviço.

Ou seja, ele não poliniza!

Ele é só um visitante floral, um roubador de pólen e néctar. Na Ciência, chamamos esses espertinhos de Pilhadores.

Por essas tantas possibilidades é que o pesquisador gasta horas, dias, meses, observando, testando, filmando, fotografando suas flores.

Tudo para ter a certeza de QuemPoliniza !

MURICI

MURICI DO BREJO/MURICI DA PRAIA

Byrsonima sericea – MALPIGHIACEAE

FONTE: https://www.programaarboretum.eco.br/especie/136/murici-do-brejo

Linda e frondosa, o Murici é uma árvore que varia de 3 a 20 metros, dependendo do tipo de solo e da formação florestal em que se encontra.

O nome vulgar Murici provém do tupi mborici, que significa “faz resinar”.

É nativa, encontrada na Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga, Cerrado (Campo rupestre, Cerrado (latu sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Terra Firme, Floresta Ombrófila/Pluvial, Restinga.

É considerada uma espécie pioneira, ou seja, quando plantada cresce rapidamente em ambientes ensolarados e sem vegetação. Pode também ser secundária inicial, ou seja, ela germina em ambiente sombreado, após a ocupação da área pelas espécies pioneiras. Essa informação é importante para quem trabalha com recuperação de áreas degradadas, associada ao grande papel ecológico que desempenha na alimentação da fauna local.

O Murici tem apelo paisagístico, sendo utilizado na arborização urbana, em parques e jardins.

Mas, como aqui o tema principal é QuemPoliniza, vamos ver que são nossos amigos.

A floração do murici acontece entre outubro e fevereiro. O início da frutificação é em março.

As flores são hermafroditas, de pétalas amarelas. São melitófilas, portanto, polinizadas por ABELHAS.

FONTE: https://appverde.wordpress.com/2015/11/05/murici-byrsonima-sericea/

Produzem pólen e óleo. O óleo é produzido em glândulas chamadas de elaióforos e se localizam no cálice (conjunto de sépalas). Tanto o pólen como o óleo são utilizados na alimentação das abelhas e das larvas.

Segundo o estudo que cito abaixo 18 espécies de ABELHAS nativas são as POLINIZADORAS do murici. Estas abelhas são especialistas em coletar o óleo das glândulas, trabalho esse nada fácil. Elas raspam com as pernas dianteiras as glândulas de óleo, num tipo de “abraço” na flor e nesse processo o pólen fica aderido na parte ventral de seu corpo. O pólen, elas coletam pelo método de vibração (falarei disso em outra postagem) em outra visita, não na mesma: são organizadíssimas; em uma visita coletam o óleo e em outra o pólen.

A foto abaixo foi extraído do artigo citado no Saiba Mais. Mostra uma abelha Centris sp durante coleta de óleo. Está em preto e branco porque normalmente nos estudos publicados em revistas científicas as fotos não são coloridas.

fonte: Saiba Mais, abaixo

As plantas também tem lá suas estratégias. Para poupar energia na produção das glândulas de óleo em todas as flores, elas deixam algumas flores SEM esses elaióforos. A abelha não sabe e vai visitar todas as flores na busca de alimento, ou seja, vai nas flores com e sem as glândulas. Com isso, a planta economizou energia na formação das glândulas e manteve as visitações dos polinizadores intactas.

Fonte: Saiba Mais, abaixo

As abelhas polinizadoras são dos gêneros Centris spp, Epicharis spp e Augochloropsis.

As imagens abaixo mostram como é a aparência dos representantes de cada gênero. Você, com certeza, já deve ter visto alguns deles.

Centris analis

Epicharis flava

Augochloropsis sp

Abaixo, imagem do murici em flor.

SAIBA MAIS:

TEIXEIRA, L.A.G. & MACHADO, I.C. Sistema de polinização e reprodução de Byrsonima sericea DC (Malpighiaceae). 2000. link: https://doi.org/10.1590/S0102-33062000000300011 

https://www.programaarboretum.eco.br/especie/136/murici-do-brejo

https://www.arvores.brasil.nom.br/new/murici/index.htm

PÁSSARO-DE-FOGO

Heliconia bihai L. – Heliconiaceae

Fonte: https://www.jardineiro.net/plantas/passaro-de-fogo-heliconia-bihai.html

Planta tropical por excelência.

Nativa da América do Sul.

São plantas herbáceas, mas de porte arbustivo. Têm grande apelo ornamental devido à sua fantástica folhagem e brácteas (veja o que são no post sobre Polinização e Origem das flores) com um colorido exuberante, todas em vermelho alaranjado!

Se dão muito bem em locais com algum sombreamento.

As flores são brancas, pequenas, tubulares. Produzem bastante néctar. Atraem beija-flores, seus principais polinizadores.

Heliconia bihai flower (Red palulu), bright and colourful tropical flowers on background of green leaves. Natural garden, close up, copy space. Fonte: https://www.istockphoto.com/br/foto/flor-do-bihai-de-heliconia-flores-tropicais-brilhantes-e-coloridas-no-fundo-das-gm1153473090-313290834

É uma espécie troquilófila. Os principais polinizadores são os beija-flores Eulampis jugularis.

Fonte: https://birdsoftheworld.org/bow/species/putcar1/cur/introduction

Saiba mais:

GOWDA, V. & KRESS, W. J. 2013. A Geographic Mosaic of Plant—Pollinator Interactions in the Eastern Caribbean Islands. Biotropica, 45 (2) : 224-235.

PITA ou PITEIRA

GRAVATÁ-AÇU / CAROATÁ-AÇU

Agave americana L. – AGAVACEAE

Agave americana é uma espécie que teve sua origem nas Antilhas e no México. É uma planta perene com folhas carnosas, suculentas. As folhas são dispostas na forma de roseta e tem espinhos nas bordas.

O pendão floral se forma no centro da roseta. É muito alto, chegando a 8 metros!

 As flores são de coloração amarelo- esverdeadas. Produzem bastante néctar e pólen. Após a floração e maturação dos frutos a planta-mãe morre, sendo o seu lugar ocupado por novas plantinhas, mudas, que ao longo do tempo se desenvolveram na base.

Quem poliniza a Pita?

Sim. Agave americana é polinizada por morcegos. A espécie desses morcegos é a Leptonycteris nivalis, que significa morcego de nariz comprido. Seu status de conservação está em alerta, ou seja, suspeita-se que a espécie está ameaçada.

São morcegos de hábito migratório. Eles se alimentam de pólen e néctar da pita e outras plantas, como cactos, lambendo o néctar através de uma comprida língua (cerca de 7 centímetros). Ao fazerem isso contatam com os órgãos reprodutivos das flores, até porque levam muito pólen aderido nos seus pelos e, então, as polinizam.

Flores que são polinizadas por morcegos recebem o nome de quiropterófilas e à síndrome Quiropterofilia. Geralmente as flores se abrem a noite, são vistosas, robustas e têm grande quantidade de néctar e pólen.

Saiba mais

https://tpwd.texas.gov/huntwild/wild/species/mexlongnose/

https://www.nature.com/articles/s41598-019-50059-6.pdf?proof=true19

UCUÚBA

Virola surinamensis (Rol. ex Rottb.) Warb. Myristicacaeae

Virola surinamensis é conhecida popularmente como UCUÚBA, que na língua indígena quer dizer UCU = graxaYBA = árvore.  São árvores muito altas, atingindo mais de 30 – 40 metros de altura, com diâmetro a altura do peito do tronco de 60 cm. É encontrada em lugares alagados, em várzeas e perto de igapós no Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão, Guianas, entre outros.

Nativa em toda a região Amazônica, essa espécie de árvores formidáveis está em perigo de extinção, uma vez que sua madeira é de excelente qualidade para compensados, laminados e cabos de vassoura.

Suas sementes são ricas em óleos e gorduras utilizados na fabricação de velas, sabonetes, manteiga, cremes e como substituto vegetal para a parafina que é derivada do petróleo. Muito importante para a indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia.

Fonte: https://herbariovaa.org/taxa/index.php?taxon=25539&clid=1012

As árvores são dióicas. Isso significa que uma árvore produz flores masculinas e a outra árvore flores femininas. Temos, portanto, uma espécie que não produz flores hermafroditas. Elas precisam de um polinizador para levar o pólen de uma flor masculina ao estigma da flor feminina, em outra árvore.

Portanto, mais do que nunca, o polinizador é essencial para a produção de frutos e sementes.

A espécie floresce o ano todo. As flores masculinas se abrem por volta das 6 horas da manhã, duas horas antes das femininas e seguem abrindo, até as 16 horas.

Somente as flores masculinas exalam odor suave e adocicado; as femininas não. O principal alimento procurado nas flores masculinas é o pólen e nas femininas o néctar.

Fonte: https://inpn.mnhn.fr/espece/cd_nom/630882?lg=en
Flores masculinas (male) e flores femininas (female). Note as anteras na flor masculina. A feminina não tem anteras, tem o estigma que fica ao fundo. Fonte: https://serv.biokic.asu.edu/imglib/neotrop/misc/201406/10760_1403067239_web.jpg
Steve Paton.

A polinização da Ucuúba é feita por moscas (família Diptera), conhecidas como mosca-das-flores ( Copestylum sp e Erystalys sp). Esse tipo de polinização recebe o nome de miiofilia – polinização por moscas.

Fonte: https://bugguide.net/node/view/312083

Por isso é importante ter em mente que quando se fala em conservar a biodiversidade não se está referindo a um determinado animal ou planta, mas a todos os organismos que interagem ecologicamente. Como poderíamos supor, sem estudar, que moscas são as grandes responsáveis pela formação dessas sementes tão utilizadas e importantes economicamente, medicinalmente ou na indústria alimentícia? Sem falar que essas sementes são devoradas por outros animais, que constroem seus ninhos, alimentam suas crias com esses frutos e sementes e dependem delas para viver.

Saiba mais:

JARDIM, M.A.G. & MOTA, C. G. da. 2007. Biologia floral de Virola surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae). Rev. Árvore, 31(6): 1155 – 1162.

Justicia brasiliana Roth

Família Acanthaceae

Fonte: https://floradigital.ufsc.br/open_sp.php?img=7698

Muito ornamental, bastante expressiva e utilizada na jardinagem. É conhecida como Justicia.  É nativa e bem comum nas regiões Sudeste e Sul.

A espécie floresce de outubro a fevereiro e começa a frutificar no final de fevereiro, início de março.

As flores são grandes, vermelhas, compridas, afuniladas e produzem néctar e pólen. É muito procurada por beija-flores, seus polinizadores principais. Eles posicionam a cabeça na entrada da flor e com o bico comprido alcançam o néctar que está lá no fundo. Notem que as antenas com pólen (aquelas estruturas aos pares posicionadas eretas, na entrada da corola) tocam a cabeça do beija-flor quando este insere o bico. Uma vez com a cabeça impregnada de pólen ao voarem para outra flor, eles deixam nela o pólen e a polinizam.

Diante disso, dizemos que a espécie é troquilófila (polinizada por beija-flores). Esses beija-flores se alimentam de néctar e de pequenos insetos e outros bichinhos, como larvas, aranhas, de onde obtêm a proteína necessária a sua manutenção.

São eles:

Amazilia spp

Fonte: https://www.wikiaves.com.br/wiki/amazilia

Chlorostilbon lucidus (besourinho-de-bico-vermelho)

Fonte: http://www.ornithos.com.br/besourinho-de-bico-vermelho-chlorostilbon-lucidus/

Phaethornis pretrei (rabo-branco-acanelado/ limpa-casa)

Fonte: https://passarinhando.com.br/index.php/component/k2/item/834-rabo-branco-acanelado-phaethornis-pretrei

Hylocharis chrysura (beija-flor dourado)

Fonte: https://ebird.org/species/gilhum1?siteLanguage=pt_BR

Saiba Mais:

MATIAS, R.;  CONSOLARO, H. 2015. Polinização e sistema reprodutivo de Acanthaceae Juss. no Brasil: uma revisão. Biosci. J., 31 (3): 890-907.

Lantana

Lantana camara L. (Verbenaceae)

Fonte: https://www.sitiodamata.com.br/lantana

Conhecida como lantana, cambará, camará, camaradinha, ou, simplesmente,

planta arco-íris!

Arbusto muito ornamental e usado no paisagismo, sendo comum encontrá-lo ladeando caminhos, enfeitando espaços criados para o bem-estar.

Fonte: https://nofigueiredo.com.br/como-cultivar-lantana-camara-e-de-montevideu/.

Originária das Américas, a lantana tem distribuição cosmopolita, ou seja, ocorre em todos os continentes.

As flores multicores atraem muitas espécies de borboletas.

Fonte: http://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/lantana-camara-l

As flores são tubulares, ou seja, têm forma de pequenos funis, por onde as borboletas inserem sua probócide para sugar o néctar, de canudinho.

As flores são formadas em inflorescências, que lembram buquês naturais.

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foto de Sandra Zorat Cordeiro http://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/lantana-camara-l

Devido as flores atraírem e serem polinizadas por borboletas, damos o nome de

flores psicófilas.

Elas abrem as pétalas durante o dia e suas cores se destacam do verde da mata. As borboletas não sentem o odor, então as flores não são cheirosas, mas as cores vivas guiam, atraem as borboletas que têm boa visão e buscam o néctar secretado no interior das flores.

Principais borboletas polinizadoras:

Urbannus sp

fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Urbanus_(g%C3%AAnero)

Heliconius spp

Phanus vitreus

Fonte: https://www.neotropicalbutterflies.com/Site%20Revision/Pages/SkipperPages/Skippers_Pyrginae_Group8/Skippers_Pyrginae_Group8_Pages/Phanus_vitreus.html





Phaebis philea philea
 
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:(Phoebis_philea_philea).jpg

Apesar de arbustos muito lindos, em alguns países há um alerta sobre a espécie porque em alguns cultivos essas plantas acabam invadindo, de difícil contenção, funcionando como espécie invasora.

Saiba mais:

CÉZAR, K.F.S. 2016. Interação entre borboletas (Insecta: Lepidoptera: Hesperioidea e Papilionoidea) e flores na polinização de Lantana camara L. (Verbenaceae) no período de 9maior e menor precipitação em um fragmento florestal urbano amazônico. Dissertação apresentada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Biológicas (Entomologia). Manaus, Am. 75p.999

Maracujá-Amarelo

Passiflora edulis f. flavicarpa (Passifloraceae)

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/flora/noticia/2015/02/maracuja-amarelo.html

Quem não conhece o maracujá amarelo?

Suco de maracujá, sorvete, mousse com licor …

é uma planta maravilhosa, tanto na culinária como na fitoterapia, pois quem nunca ouviu falar que maracujá acalma a ansiedade?!  

Mas receitar remédio não é minha praia.

Vamos falar de ecologia. Vamos falar da polinização dessa espécie magnífica, que tem uma das flores mais bonitas que conheço (se não for a mais bela, na minha opinião)….

O maracujá ocorre naturalmente nas regiões tropicais e subtrapicais das Américas.

O nome vem do Tupi, que significa “alimento que já vem na cuia”.

É muito cultivado no Brasil, principalmente em SP, Ba, Se e MG.

A flor é bastante peculiar. Tem características melitófilas.

Se abre durante o dia e oferece pólen e néctar ao polinizador.

A flor do maracujá tem uma estrutura chamada de androginóforo, que, basicamente, é uma coluna formada pela junção da parte feminina com a masculina da flor.

Então, nesse androginóforo, teremos os estigmas e os estames inseridos numa única coluna.

Seguindo para a base do androginóforo (acompanhe pelo esquema acima) vemos uma câmara nectarífera, onde o néctar fica acumulado.

Outra particularidade muito linda nessas flores são as franjas, chamadas de corona (nada a ver com o vírus, ok?).

Servem para a atração das abelhas, por se assemelharem com as anteras de pólen. Mas, lembre-se, não são anteras, nem têm pólen.

(Seria uma espécie de fake news vegetal para os polinizadores levando-o a acreditar que há muito pólen ali, mas, na verdade, as coronas são pétalas franjadas).

Note o posicionamento das anteras, voltadas para cima, expondo o pólen e os estigmas intercalados, também para cima, favorecendo a polinização no momento da visita da abelha certa.

Não é qualquer abelha que consegue alcançar essa câmara com néctar. Para conseguir esse recurso, esse inseto tem de ser forte, robusto, pesado. Tem de forçar a entrada. Somente abelhas grandes fazem esse movimento com o corpo, inserindo a “língua” ali na entrada da câmara para sugar o néctar. Nesses movimentos a mamangava fica com o dorso todo cheio de pólen. Ao voar para outra flor, deposita o pólen das suas costas no estigma daquela flor e recebe dela nova carga polínica.

Essas abelhas são as mamangavas do gênero Xylocopa. No caso aqui, os polinizadores são as espécies Xylocopa frontalis e Xylocopa grisences.

Xylocopa grisescens. fonte: https://www.inaturalist.org/taxa/805262-Xylocopa-grisescens

A cultura de maracujá movimenta a economia do país e essas abelhas de hábito solitário são as responsáveis pela formação dos frutos, tão apreciados por todos nós.

Considerando a especialidade dessas abelhas em polinizar o maracujá, fica claro a necessidade de se preservar as florestas de entorno, onde essas abelhas constroem seus ninhos. É imperativo utilizar práticas sustentáveis no controle de pragas para a conservação e manutenção dessas importantes abelhas.

FONTE: https://1.bp.blogspot.com/-psQNOIp7oDQ/WotwqmABXuI/AAAAAAAAVtY/6ivWPBSTQ-o0fhE2CcMox-YqwENioJCAACLcBGAs/s1600/13.JPG
FONTE: https://mariferal.blogspot.com/2018/02/mamangava-xylocopa-spp-producao.html

Saiba mais:

BENEVIDES, C.R. 2006. Biologia Floral e Polinização de Passifloraceae Nativas e
Cultivadas na Região Norte Fluminense-RJ.
Tese apresentada ao Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (ênfase em Ecologia de Organismos).

SIQUEIRA et al., 2009. Ecologia da polinização do maracujá-amarelo, na região do vale do submédio São Francisco. Rev. Bras. Frutic.,31 (1): 1-12. Jaboticabal. https://doi.org/10.1590/S0100-29452009000100003 

BACURI

Platonia insignis Mart. (Clusiaceae)

O bacuri é uma árvore da região norte e nordeste, nativa, que atinge até 40 metros de altura. É encontrada nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Goiás, Mato Grosso até o Paraguai.  Movimenta bastante a economia da região pelos frutos que produz. Além dos frutos saborosos e nutritivos, a planta é usada como medicinal e na indústria coméstica.

 

E a ecologia do bacuri?

É uma espécie que perde suas folhas na estação seca, que acontece entre junho e agosto. Nas primeiras chuvas, ocorre a formação dos botões florais e folhas novas. Em agosto é comum as árvores estarem repletas de flores! Um visual lindo, embora estejam lá no alto, pois, lembrando, é uma árvore alta (mas há as mais baixas, ainda em crescimento, ou situadas em locais mais fechados, não sendo possível sua rápida expansão).

As cores das flores variam de rosa pink ao creme, passando por tons intermediários. A antese (veja no post fixado do blog para se lembrar do termo) ocorre durante o dia e leva de 12 a 14 horas para se completar. Ou seja, as flores começam a abrir suas pétalas e só concluem a abertura após passados até 14 horas,  só no dia seguinte. Elas produzem muito pólen, néctar bem docinho para satisfazer seus polinizadores.

FONTE: http://www.procisur.org.uy/adjuntos/procisur_bacuri_a9d.pdf

Essa espécie é autoincompatível. Isso significa que, apesar das flores serem hermafroditas, elas não produzem frutos a partir da autofertilização, necessitando do polinizador para levar o seu pólen ao estigma da outra flor e em outra árvore.

E quem são esses maravilhosos polinizadores? 🤔

São pássaros, das famílias Psittacidae, Coerebidae, Icteridae e Thraupidae. 

Logo após a antese (abertura das flores), esses pássaros voam até as flores e se alimentam de pólen e néctar (os Psittacidae) ou só de néctar no caso dos representantes das outras famílias. Ao se alimentarem, os pássaros ficam com o bico, cabeça e parte do tórax repleto de pólen. Ao visitarem outra flor, eles depositam no estigma desta o pólen trazido da outra flor, polinizando-a.

O legal é que nas regiões neotropicais (ou seja, nas regiões biotropicais das Américas) até então não havia relatos de “periquitos” e sanhaços como polinizadores, sendo o bacuri o primeiro caso por aqui.

Vamos conhecê-los ?

Psittacidae

Marianinha de cabeça amarela – Pionites leucogaster leucogaster

https://www.mascotarios.org/pt/lorito-rubio/

Periquito-da-asa-dourada ou amarela (Brotogeris chrysopterus tuipara)

https://www.youtube.com/watch?v=9swMPmVuCUQ
https://www.flickr.com/photos/59863704@N00/7663978696

Aratinga-de-bando (Aratinga leucophtalmus leucophtalmus)

https://www.mascotarios.org/pt/aratinga-ojiblanca/

Coerabidae

Saí-da-perna-amarela (Cyanerpes caeruleus)

fonte: https://www.wikiaves.com.br/wiki/sai-de-perna-amarela

Icteridae

Japiim-xexéu (Cacicus cela)

fonte:
https://igrejadounaspht.org.br/meditacoes-diarias/meditacoes-diarias-2018/meditacao-diaria-de-21-12-2018-por-flavio-reti/

Thraupidae

Pipira-vermelha (Ramphocelus carbo carbo)

fonte: http://portalmelhoresamigos.com.br/pipira-vermelha-ramphocelus-carbo/

Sanhaçu-azul (Thraupis episcopus episcopus)

fonte: https://casadospassaros.net/sanhaco-azul/

Sanhaço-do-coqueiro (Thraupis palmarum palmarum)

fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/Thraupis_palmarum

Os estudiosos também observaram várias espécies de vespas e abelhas sem ferrão, trigonas, mas não na frequencia suficiente, nem em quantidade para serem identificadas como polinizadoras efetivas.

Portanto, o bacuri é uma espécie ornitófila – polinizada por pássaros. E que lindos!

Saiba mais

CARVALHO, J.E.U.de. e NASCIMENTO, W. M. O. do. 2017. Bacuri. Platonia insignis. Procisur. IICA. http://www.procisur.org.uy/adjuntos/procisur_bacuri_a9d.pdf.

MAUÉS, M.M. e VENTURIERI, G.C. 1996. Ecologia da polinização do bacurizeiro (Platonia insignis Mart.) Clusiaceae. Boletim de Pesquisa no. 170. CPATU. EMBRAPA. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/374450/1/BoletimPesquisa170CPATU.pdf

Cipó-Preto

Anemopaegma chamberlaynii Bur. & K. Schum. (Bignoniaceae)

fonte: https://www.botanic.cam.ac.uk/the-garden/plant-list/anemopaegma-chamberlaynii/

Essa espécie é nativa da América do Sul.

É encontrada nas restingas, ou seja, na vegetação litorânea, associada, geralmente, a mangues e dunas.

Os mangues e as restingas, diferente do que muita gente pensa, é o berçário da vida marinha, da vida lacustre, das plantas e animais, incluindo polinizadores.

Nesses ecossistemas fervilham importantes interações ecológicas, como polinização, dispersão de sementes, alimentação de peixes, de pássaros, insetos, crustáceos, plantas medicinais, necessárias para manter o equilíbrio e a biodiversidade, incluindo nossa existência.

O cipó-preto é uma trepadeira muito vistosa.

As flores são lindas, amarelas, grandes, cheirosas que produzem néctar. É bastante cobiçada para o paisagismo, em decorrência do seu toque ornamental.

Floresce nos meses mais quentes do ano, de dezembro a abril.

As flores são melitófilas (veja no post inicial), atraem abelhas.

Quem poliniza o cipó-preto são as grandes abelhas.

São elas:

Epicharis dejeanii Lepeletier, 1841.

fonte: https://www.researchgate.net/publication/282489421_Simulation_of_the_oil_storage_process_in_the_scopa_of_specialized_bees/figures?lo=1

Euglossa cordata L., 1758.

Epicharis (Xanthepicaris) semiflava Moure, 1975

Saiba mais:

Correia, M.C.; Pinheiro, M.C.B.; Lima, H.A. 2006. Biologia floral e polinização de Anemopaegma chamberlaynii Bur. & K. Schum. (Bignoniaceae). Lundiana 7(1):39-46.

http://www.museunacional.ufrj.br/hortobotanico/restinga/anemopaegmachamberlaynii.html

Conheça as abelhas sem ferrão

Quando falamos em conservar as abelhas para termos comida na mesa e biodiversidade que traz saúde ambiental, não falamos apenas das abelhas de mel.

Hoje eu trouxe esse pôster da A.B.E.L.H.A que mostra as abelhas sem ferrão do Brasil. Essas abelhas são polinizadoras de centenas de plantas da nossa flora, desde daquelas encontradas na Mata Atlântica, no Cerrado, Restingas, como também nas lavouras, como as responsáveis pela produção de nossos alimentos.

Meliponicultura é o nome da criação das abelhas sem ferrão. Procure para saber mais. Quem sabe você não vira um/a meliponicultor/a.

Os méis dessas abelhas são muito nutritivos e especiais, assim como elas. Movimentam a economia.

Saiba mais e Cuide.

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