Polinização de Pachystachys lutea (camarão-amarelo de jardim)

Pachystachys lutea Nees – Família ACANTHACEAE

Inflorescência de Pachystachys lutea com brácteas amarelas e flores brancas
Inflorescência do camarão-amarelo (Pachystachys lutea), com brácteas amarelas persistentes e flores brancas efêmeras, dispostas entre as brácteas

Quem não reconhece esse arbusto tão presente em jardins, praças e parques urbanos?
O camarão-amarelo, também chamado de camarãozinho-de-jardim ou planta-camarão, é uma espécie ornamental amplamente cultivada e que esconde uma estratégia de polinização elegante e eficiente.

Pachystachys lutea Nees é o nome específico do camarão-de-jardim. Um arbusto que pode chegar de 1 a 2 metros de altura, mas normalmente fica entre 1 m, 1,5m.

Distribuição e fenologia

Pachystachys lutea ocorre naturalmente em regiões tropicais e subtropicais, sendo encontrada principalmente no Brasil e no Peru.
Seu florescimento coincide com o período quente e chuvoso do ano, geralmente entre setembro e março, quando os seus polinizadores estão mais ativos.

Inflorescência: saiba agora o que é flor e o que não é

 

inflorescência de Pachystachys lutea. As “escamas” são folhas modificadas, estéreis, chamadas brácteas. A verdadeira flor é a que emerge por entre as brácteas, de cor branca.

Normalmente, o que chama atenção não é exatamente a flor, mas o conjunto formado pelas brácteas e flores.

Brácteas são folhas modificadas, perenes, que ganham cor. Não são reprodutivas, não produzem gametas, são estéreis. Mas cumprem um papel ecológico importante: de atraírem os polinizadores e protegerem a flor.

Existem em outras famílias, nas euforbiáceas, por exemplo, como as coroas-de-Cristo, poinsétias e também nas helicônias, da família Heliconiaceae. As setas mostram as brácteas amarelas, a flor branca e a antera

Então, quando se vê a inflorescência alongada,

formada por brácteas amarelas vibrantes, sobrepostas, o visual lembra as escamas do camarão — daí o nome popular.

A flor verdadeira

Entre as brácteas surgem as flores:

Brancas, Bilabiadas, Hermafroditas,Tubulares, afuniladas e inodoras (não produzem cheiro).

inflorescencia de Pachystachys lutea, camarão de jardim.
Flores brancas, hermafroditas, bilabiadas, tubulares de aspecto de funil. Surgem entre as brácteas e têm pouca duração

Essas flores produzem néctar, que funciona como o principal recurso alimentar oferecido aos visitantes florais.

Polinização – Ornitofilia

A polinização do camarão-amarelo é realizada principalmente por beija-flores, caracterizando um sistema típico de ornitofilia (polinização feita por pássaros).
Abelhas de maior porte podem atuar como visitantes ocasionais, quando conseguem acessar o néctar no interior da corola, mas não são os polinizadores mais eficientes.

Nas cidades brasileiras, o visitante mais frequente é o beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura), espécie bem adaptada aos ambientes urbanos.

Beija-flor tesoura, Eupetomena macroura

Ainda assim, o polinizador específico pode variar conforme a região e o contexto paisagístico, mas o grupo funcional permanece o mesmo: beija-flores.

 Importância ecológica em áreas urbanas

Mesmo sendo uma espécie amplamente cultivada, o camarão-amarelo tem valor em:

*Jardins urbanos funcionais;

*Quintais biodiversos;

*Áreas verdes que favorecem aves nectarívoras.

Quando associado a espécies nativas, contribui para manter fluxos gênicos ativos dentro das cidades e atua como elemento de conexão nos corredores ecológicos. 

Esse arbusto não é apenas uma planta ornamental: é um elo vivo entre flor e ave, todos os dias, no meio do concreto.

SAIBA MAIS:

 

Blog Flores. Camarão-amarelo (Pachystachys lutea).
Disponível em: https://blogflores0.tumblr.com/post/188044600507/camarao-amarelo-pachystachys-lutea

 

 

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