Cipó-Preto
Família Bignoniaceae

O cipó-preto pertence à espécie Anemopaegma chamberlanyii Bur. & K. Schum. , família Bignoniaceae.
É uma espécie nativa da América do Sul, típica de ambientes costeiros, especialmente restingas, onde ocorre associada a manguezais e dunas.


Falando em Restingas e manguezais, vale ressaltar aqui que esses ecossistemas são ecologicamente importantes, biodiversos e associados à Mata Atlântica. Normalmente são desprezados e relatados como sujos e sem vida. Na verdade, eles são berçários da vida: marinha, lacustre e terrestre. São ecossistemas-chave para peixes, crustáceos, aves, insetos, plantas medicinais e também para os polinizadores. São nesses ambientes que fervilham interações ecológicas essenciais.
Cipó- Preto: uma trepadeira ornamental… e ecológica

O cipó-preto é uma trepadeira bastante vistosa, muito valorizada no paisagismo por seu forte apelo ornamental. Além dessa característica, você verá também sua importante funcionalidade ecológica.
Como são as flores

As flores do cipó-preto são:
- Tubulares-campanuladas (típicas da família Bignoniaceae)
-
grandes,
-
amarelas,
-
perfumadas,
-
produtoras de néctar, na base da flor.
O FLORESCIMENTO
A floração ocorre principalmente nos meses mais quentes do ano, entre dezembro e abril, quando a planta se torna um verdadeiro ímã para polinizadores.
POLINIZAÇÃO
Uma flor como essa, com produção de néctar e pólen, cor amarela da corola, diurna e perfumada certamente recebe muitos visitantes. No entanto, não é qualquer visitante que consegue acessar o néctar no fundo do tubo floral.
As flores do cipó-preto apresentam um conjunto de características ligadas à melitofilia, ou seja, à atração de abelhas. Mas não qualquer abelha.
Quem poliniza efetivamente o cipó-preto são as abelhas de grande porte, capazes de tocar as estruturas reprodutivas da flor durante a visita, que são as mamangavas, entre os abelhões.
Por que isso importa?
Porque o cipó-preto fornece alimento para abelhas nativas de grande porte que, além dele, também polinizam muitas outras espécies que dependem dela. Por isso, quando a restinga é impactada e destruída, não se perde só paisagem. Se perde processos ecológicos inteiros juntamente com seus atores, os polinizadores.