Cipó-preto (Anemopaegma chamberlaynii) — ecologia, flores e polinização

flores abertas tubulares amarelas de cipó-preto
Flores abertas do Cipó-preto

Cipó-Preto

Anemopaegma chamberlaynii Bur. & K. Schum.

Família Bignoniaceae

 

O cipó-preto (Anemopaegma chamberlaynii) é uma espécie nativa da América do Sul, típica de ambientes costeiros, especialmente restingas, onde ocorre associada a manguezais e dunas.

restinga
restinga
imagem de um manguezal
mangue

 

👉 Falando em Restingas e manguezais, vale ressaltar aqui que esses ecossistemas  são ecologicamente importantes, biodiversos e associados à Mata Atlântica.  Normalmente são desprezados e relatados como sujos e sem vida.

Na verdade, eles são berçários da vida: marinha, lacustre e terrestre.

São ecossistemas-chave para peixes, crustáceos, aves, insetos, plantas medicinais e também para os polinizadores.

É nesses ambientes que fervilham interações ecológicas essenciais, como:

  • polinização,

  • dispersão de sementes,

  • oferta de alimento para peixes, aves e insetos,

  • manutenção da biodiversidade

  • ciclagem de nutrientes

  • — em última instância, da nossa própria existência.

🌼 Uma trepadeira ornamental… e ecológica

 

cipó preto com várias flores amarelas abertas
trepadeira cipó-preto, de flores amarelas, tubulares

O cipó-preto é uma trepadeira bastante vistosa, muito valorizada no paisagismo por seu forte apelo ornamental. Além desse apelo paisagístico você verá, a seguir, sua importante funcionalidade ecológica.

 

Como são as flores

flor aberta amarela do cipó-preto
Flor aberta do cipó-preto. Grande, amarela, tubular

As flores do cipó-preto são:

  •  Tubulares-campanuladas (típicas da família Bignoniaceae)
  • grandes,

  •  amarelas,

  • perfumadas,

  • produtoras de néctar, na base da flor. O acesso não é fácil para qualquer visitante chegar até lá onde se acumula o néctar.

  • Arquitetura floral funciona como um filtro ecológico, pela acessibilidade.

FENOLOGIA DO FLORESCIMENTO

 

A floração ocorre principalmente nos meses mais quentes do ano, entre dezembro e abril, quando a planta se torna um verdadeiro ímã para polinizadores.

 

🐝 Polinização: quem faz o serviço de verdade

 

Uma flor como essa, com produção de néctar e pólen, cor amarela da corola, diurna e perfumada certamente recebe muitos visitantes. No entanto, como citei acima, existem algumas estratégias que configuram dificuldades para o acesso ao néctar, no fundo do tubo floral. Diante disso, não é qualquer visitante que busca na flor por alimentos que consegue realizar a polinização.

 

Características da Melitofilia (polinização por abelhas)

 

As flores do cipó-preto apresentam um conjunto de características ligadas à melitofilia, ou seja, à atração de abelhas.

Mas não qualquer abelha.

👉 Quem poliniza efetivamente o cipó-preto são as abelhas de grande porte, capazes de tocar as estruturas reprodutivas da flor durante a visita.

Entre os principais polinizadores registrados estão:

 

Epicharis dejeanii (Apidae, Tribo Centridini)

abelha Epicharis dejeanii
Abelha Epicharis dejeanii. As pernas posteriores têm cerdas chamadas de ESCOPA, que servem para o transporte de pólen.

Euglossa cordata (Apidae, Tribo Euglossini)

abelha verde metálico espécie Euglossa cordata
Euglossa cordata – hábito solitário ou forma pequenas colônias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Epicharis flava (Apidae, Tribo Centridini)

abelha de grande porte Epicharis flava
abelha Epicharis flava

 

 

Essas abelhas não estão ali “passeando”.

Elas coletam recursos florais e, ao mesmo tempo, garantem a transferência eficiente de pólen, assegurando a reprodução da planta.

🌱 Por que isso importa?

 

Porque o cipó-preto não é só bonito. Ele é:

* parte da teia ecológica das restingas,

*dependente de polinizadores especializados,

*exemplo claro de como paisagismo e conservação podem (e devem) andar juntos.

 

Quando a restinga é impactada e destruída, não se perde só paisagem.  Se perde processos ecológicos inteiros.

 SAIBA MAIS

 

  1. Correia, M.C.; Pinheiro, M.C.B.; Lima, H.A.
    Biologia floral e polinização de Anemopaegma chamberlaynii Bur. & K. Schum. (Bignoniaceae).
    2006. Lundiana 7(1): 39–46.

       2. Museu Nacional – UFRJ.
Anemopaegma chamberlaynii – Restinga.
Disponível em: http://www.museunacional.ufrj.br/hortobotanico/restinga/anemopaegmachamberlaynii.html

       3. Ministério do Meio Ambiente.
Biodiversidade Brasileira – Capítulo 12.
Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/chm/_arquivos/14_Biodiv_14_Cap12.pdf

 

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