Psidium guajava L. FAMÍLIA MYRTACEAE
GOIABA

Só de olhar uma goiaba madura já dá água na boca.
É fruta de quintal, de infância, de geleia borbulhando na panela da avó e de suco gelado na merenda da escola. Essa intimidade não é por acaso.
A goiabeira (Psidium guajava ) é nativa da América Tropical e tem enorme importância econômica, tanto no consumo in natura quanto na indústria de sucos, polpas, doces e geleias. É uma daquelas plantas que atravessam gerações — da roça ao supermercado — sem perder o vínculo com a natureza.
O nome “goiaba” vem do espanhol guayaba, derivado do termo indígena waya, que significa simplesmente “fruta”. Simples e direto, como a própria planta.
Além de saborosa, a goiaba é um verdadeiro pacote nutricional: é rica em antioxidantes, vitamina C (em quantidade maior do que limão e laranja), vitaminas A e do complexo B, além de minerais como cobre, zinco, selênio e fósforo.
Poucas frutas entregam tanto em tão pouco. Faz bem ao coração, fortalece a imunidade e ainda carrega memória afetiva.

FLORES MELITÓFILAS – PREPARADAS PARA AS ABELHAS!
As flores apresentam características de polinização por abelhas, chamada na ecologia de Melitofilia.
As pétalas são brancas, muitos estames, característica das flores da família das Mirtáceas, igual a das pitangas, por exemplo.
As flores são rasas, perfume suave, diurnas, produzem muito pólen.Um convite explícito para as abelhas.

Quem são as polinizadoras da goiaba?
A ciência é claríssima: abelhas são essenciais para a produção de goiaba.
E existem três protagonistas:
Os polinizadores principais são as abelhas- de -mel, Apis mellifera, a mamangava Xylocopa frontalis e as abelhas nativas sem -ferrão Melipona subnitida. Dessas abelhas, a mais eficiente (a que poliniza mais flores e, consequentemente, aumenta a produção de frutos) é a abelha africanizada Apis mellifera.

1. Apis mellifera — a abelha-de-mel (abelha africanizada)
É a mais eficiente.
Visita mais flores, transporta mais pólen e aumenta significativamente a frutificação.
Características que explicam o sucesso:
* voa longas distâncias
*recruta colmeia inteira quando encontra uma boa fonte
*visita sistemática e constante
*coleta intensa de pólen
Em estudos comparativos, é a espécie que mais aumenta a produtividade por planta.
2. Xylocopa frontalis — a mamangava

Esse gênero de abelhas apresenta hábito solitário e não forma colônias. Contudo não deixa de compartilhar com quase todos os outros membros o instinto de construir ninhos em madeira, tanto em florestas como nas cidades.
Grande, pesada, barulhenta e essencial na polinização. Seu único problema aqui é a frequência com que visita as flores da goiaba. Ela não é assídua e por conta disso, perde o posto para a abelha-de-mel.
Mas durante o forrageio, entra com o corpo inteiro na flor, sacudindo os estames e removendo grandes quantidades de pólen.
É menos frequente, mas muito eficiente por visita.
3. Melipona subnitida Ducke — a Jandaíra (abelha-sem-ferrão)

Linda, dócil e nativa do Brasil.
Visita frequente às flores de goiaba e contribui bastante para a frutificação, especialmente em regiões onde é criada (Nordeste). Mas poliniza também flores dos biomas pantanal e floresta atlântica NE.
Sua coleta é mais delicada e constante, o que ajuda no fluxo de pólen entre flores vizinhas.

O que as pessoas mais querem saber: a goiaba depende de abelhas?
SIM.
Sem abelhas, a frutificação cai drasticamente.
E sem polinização cruzada (transferência entre flores diferentes), a fruta fica menor e deformada.
Por isso, plantações que mantêm abelhas — nativas e Apis mellifera — têm:
mais frutos ❤
frutos maiores ❤❤
frutos mais doces.❤❤❤

“Se tem goiaba na mesa, tem abelha trabalhando por trás.”
A goiabeira é mais um exemplo de como nossa alimentação depende diretamente de polinizadores.
Preservar jardins, plantar flores nativas e evitar agrotóxicos que matam abelhas é uma forma simples — e vital — de manter frutas como a goiaba e abelhas vivas nos nossos biomas.
SAIBA MAIS
- Alves, J.E.; Freitas, B.M. Comportamento de pastejo e eficiência de polinização de cinco espécies de abelhas em flores de goiabeira (Psidium guajava L.). Revista Ciência Agronômica, 37(2): 216–220, 2006. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1953/195320521017.pdf
2.Universidade Federal da Bahia – LABEA. Biologia floral e reprodutiva da goiabeira.
Disponível em: http://www.labea.ufba.br/polinfrut/produtos/biologia_floral_reprodutiva_goiabeira.pdf
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