Platonia insignis Mart.
Família Clusiaceae

O bacuri é uma importante espécie arbórea nativa do Norte e Nordeste do Brasil, que alcança até 40 metros de altura, quando adulta. Sua distribuição natural inclui os estados do Pará, Maranhão, Piauí, Goiás e Mato Grosso, estendendo-se até o Paraguai.
Além de sua imponência, o bacuri tem grande importância econômica, cultural e social, principalmente pelos frutos aromáticos e nutritivos, amplamente consumidos in natura e utilizados em doces, sorvetes e licores.
A espécie também é valorizada na medicina popular e na indústria cosmética, especialmente pelo óleo extraído de suas sementes.


FENOLOGIA💮
O bacuri é uma espécie caducifólia, ou seja, perdefolhas durante a estação seca, que ocorre geralmente entre junho e agosto. Com a chegada das primeiras chuvas, se inicia um espetáculo ecológico: surgem folhas novas e botões florais.

Em agosto é comum observar árvores completamente tomadas por flores — um visual deslumbrante, ainda que muitas delas estejam lá no alto da copa.

FLORES

Características gerais
As flores são hermafroditas, têm as pétalas carnosas, bem resistentes, que variam do rosa intenso ao creme, passando por tons intermediários.
A antese é diurna e lenta (saiba sobre antese em https://bit.ly/3N8Ja3d ) levando cerca de 12 a 14 horas para se completar — as pétalas começam a se abrir em um dia e finalizam apenas no dia seguinte.
As flores produzem:
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✳❇ grande quantidade de pólen (grande quantidade de estames)
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🍯 néctar bem docinho para satisfazer seus polinizadores.
Sistema Reprodutivo
O Bacuri, apesar de ter os dois sexos na mesma flor, é uma espécie AUTOINCOMPATÍVEL. Isso significa que não se autofertiliza, precisando da polinização cruzada mediada por polinizadores para garantir a produção de frutos e sementes (uma por fruto).
👉 importante: sem esse serviço ecológico da polinização, não há bacuri.
POLINIZADORES
O Bacuri é uma espécie ORNITÓFILA, polinizada por pássaros. Normalmente a primeira ave que nos ocorre é o beija-flor. Mas não são os únicos pássaros polinizadores, como você verá agora.
Entre os polinizadores, há representantes das famílias:
Psittacidae
Marianinha-de-cabeça-amarela – Pionites leucogaster

A marianinha-de-cabeça-amarela (Pionites leucogaster) é uma espécie de papagaio de pequeno porte da família Psittacidae, nativa da região amazônica. Plumagem vibrante!
Periquito-da-asa-dourada

Brotogeris chrysopterus é uma pequena ave da família dos psitacídeos, nativa da Amazônia e de áreas adjacentes da América do Sul. As asas têm manchas amarelas brilhantes e têm comportamento gregário. É uma das espécies mais comuns de periquitos amazônicos
Aratinga-de-bando

Aratinga leucophthalma, conhecida como aratinga-de-bando, periquito-de-olho-branco ou maracanã-pequena. Nativa da América do Sul. É amplamente distribuída no Brasil e em países vizinhos, destacando-se por seu comportamento gregário e vocalizações intensas.
Coerebidae
Saí-da-perna-amarela

Cyanerpes caeruleus é um pássaro pequeno da família dos tangarás (Thraupidae). É amplamente distribuída em florestas tropicais da América do Sul. Tem uma plumagem linda, azul intensa e as pernas são de cor amarela vibrante, destacando-se entre as aves neotropicais por seu comportamento ativo e dieta frugívora e nectarívora.
Icteridae
Japiim-xexéu / Cacicus cela

O japiim-xexéu (Cacicus cela) é encontrada amplamente na Amazônia e em outras regiões tropicais da América do Sul. É reconhecida por seu contraste de plumagem preta com amarelo-vivo, olhos azuis e pelo canto variado e melodioso, frequentemente emitido em bandos próximos a rios e florestas úmidas.
Thraupidae
Pipira-vermelha / Ramphocelus carbo

Ave comum em áreas florestais e beiras de rios da Amazônia e outras regiões tropicais da América do Sul. Destaca-se pelo contraste marcante entre o corpo escuro e o bico prateado, sendo uma das espécies mais reconhecíveis de tanagras.
Sanhaçu-azul
Sanhaçu-azul (Thraupis episcopus)
O sanhaçu-azul (Thraupis episcopus) é amplamente distribuída nas Américas. É conhecida por sua plumagem azul-clara e comportamento sociável, sendo uma das aves mais comuns em áreas urbanas e rurais do Brasil e de grande parte da América Latina
Sanhaço-do-coqueiro

O sanhaço-do-coqueiro (Thraupis palmarum) é uma ave amplamente distribuída nas Américas. Reconhecida por sua plumagem azul-acinzentada e hábitos sociáveis, é uma das aves urbanas mais comuns do Brasil, frequente em jardins, praças e coqueirais. Seu nome popular reflete a associação com palmeiras, onde costuma se alimentar e nidificar.
Visitação – assim que as flores se abrem, essas aves iniciam a visitação, que é intensa.

Algumas espécies (como os psitacídeos) consomem pólen e néctar, enquanto outras exploram principalmente o néctar.
Durante a alimentação, o bico, a cabeça e parte do tórax ficam cobertos de pólen. Ao visitarem outra flor, esse pólen é depositado no estigma — polinização cruzada feita com maestria e sucesso.

🟢 Um detalhe fascinante:
Nas regiões neotropicais, não havia registros consistentes de periquitos e sanhaços atuando como polinizadores efetivos.
O bacuri representa um dos primeiros casos documentados desse tipo de interação!! Por isso a importância de estudos de polinização. E este portal divulga para que você tenha acesso ao que acontece na ciência.

🐝 E as abelhas?
Foram observadas abelhas sem ferrão (Trigona) e algumas vespas, mas:
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com baixa frequência
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em número insuficiente
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e sem eficiência para garantir polinização efetiva
Ou seja: visitantes ocasionais, não polinizadores funcionais.
🌸 Em resumo
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🌳 Espécie arbórea nativa e de grande porte
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🌦️ Floração sincronizada com o início das chuvas
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🐦 Polinização feita principalmente por aves – Ornitófila
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🌿 Exemplo belíssimo de interação planta-polinizador vertebrado nas florestas tropicais
- Necessidade de polinização cruzada devido apresentar um mecanismo genético de autoincompatibilidade.
O bacuri (Platonia insignis) tem papel econômico estratégico nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, especialmente no Pará e Maranhão, baseado principalmente no extrativismo sustentável. Dessa forma, a polinização produz commodities e tem valor revetido em riqueza.
🍈 1. Fruto de alto valor comercial
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A polpa é muito valorizada e usada em sorvetes, doces, cremes, compotas, licores e recheios.
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Produto típico da gastronomia regional, com forte identidade cultural.
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Alto valor agregado no mercado local e regional.
🌱 2. Geração de renda para comunidades tradicionais
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Coleta feita por agricultores familiares, ribeirinhos e comunidades extrativistas.
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Importante fonte de renda sazonal, especialmente no período de entressafra agrícola.
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Mantém pessoas no território, reduzindo êxodo rural.
🧴 3. Indústria cosmética e farmacêutica
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As sementes produzem o óleo de bacuri, muito usado em:
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sabonetes
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cremes hidratantes
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produtos cicatrizantes e anti-inflamatórios
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Matéria-prima valorizada por marcas que apostam em bioeconomia e ativos da sociobiodiversidade.
🌳 4. Bioeconomia e conservação
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O bacuri vale mais em pé do que derrubado.
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Estimula a conservação da floresta, pois o lucro vem do fruto, não da madeira.
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Exemplo clássico de economia aliada à conservação da biodiversidade.
📦 5. Cadeia produtiva em expansão
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Crescimento de cooperativas, agroindústrias artesanais e projetos de manejo.
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Potencial para:
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certificação de origem
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indicação geográfica
- mercados gourmet e internacionais
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SAIBA MAIS
CARVALHO, J.E.U.; NASCIMENTO, W.M.O. Bacuri – Platonia insignis.
2017. Procisur / IICA.
MAUÉS, M.M.; VENTURIERI, G.C. Ecologia da polinização do bacurizeiro (Platonia insignis).
1996. Boletim de Pesquisa nº 170. EMBRAPA.


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