MANACÁ-DE-CHEIRO: POR QUE AS FLORES MUDAM DE COR?

Flores tubulares do manacá nas cores lisases e roxas
Flores abertas de Manacá-de-cheiro mostrando os diferentes matizes de roxo e lilás .

Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don da família Solanaceae, é uma espécie arbustiva nativa da Mata Atlântica. O arbusto é lenhoso, perene e ramificado, alcançando até 3 metros de altura, sendo uma das plantas ornamentais mais charmosas dos jardins brasileiros.

Suas flores perfumadas e sua paleta que vai do roxo ao branco lhe renderam o status de planta-símbolo em Curitiba (PR), onde o manacá é amplamente cultivado em áreas urbanas, como nas praças e bosques.

 

ETIMOLOGIA – ORIGEM DA PALAVRA

 

Embora circule na internet a ideia de que o nome “manacá” homenagearia uma indígena chamada Manacan, não existe qualquer registro histórico, etnográfico ou linguístico confiável que sustente essa história, pelo menos por enquanto.

        A etimologia correta é muito mais simples — e mais bonita:

“Manacá” vem do Tupi antigo manaká, que significa “flor”,

“planta florífera” ou “planta de flores bonitas”.

INFORMAÇÃO BÔNUS:

 

Manacá é um termo genérico usado pelos povos indígenas para designar plantas de flores vistosas, descolado da classificação Botânica moderna.

Assim, diferentes espécies acabaram recebendo nomes populares semelhantes, o que ajuda a explicar a confusão que algumas pessoas fazem ao falarem sobre os diferentes manacás como se fossem parecidos apenas por conta da cor das flores.

Mas a real é que nada têm a ver um com o outro, como é o caso mais explícito, Brunfelsia x Pleroma (Tibouchina).

*MANACÁ-DE-CHEIRO –  espécie Brunfelsia uniflora, pertence a família Solanaceae e sua polinização se dá por Lepidópteros. Diurnos (borboletas) e Noturnos (mariposas).

*MANACÁ-DA-SERRA – espécie Pleroma mutabile, antiga Tibouchina mutabilis, pertence a outra família botânica, Melastomataceae que morfológica e filogeneticamente tem zero a ver com o manacá-de-cheiro. O polinizador também é outro grupo de insetos.  Aqui são as mamangavas as polinizadoras, que coletam o pólen através das grandes anteras das flores que o produzem em abundância.

Ou seja,  são muito diferentes o comportamento e forma de polinizar das mamangavas daqueles que teem as delicadas borboletas e mariposas.

RESUMO – Uma vez esclarecido,  você já sabe, fique ligado, fique ligada, especialmente no YouTube. Não entre na pilha de que tudo  é a mesma coisa só porque as pessoas conhecem aquela árvore ou arbusto como manacá e as flores até têm cores parecidas. Elas não têm nada a ver uma com a outra, nem na filogenia e tampouco na ecologia.

Floração de manacá-de-cheiro, Brunfelsia uniflora

Biologia Floral

 O florescimento acontece entre outubro e fevereiro, sendo as flores hermafroditas, solitárias, tubulares e altamente perfumadas.

O que mais impressiona é a variação de cores que observamos em uma única flor: 

➡De manhã – ela se abre na cor roxa;

➡Depois passa pelo lilás;

➡torna-se rosa;

➡finaliza o dia e à noite como branca.

⚠️ Importante:
Não existem “flores roxas” e “flores brancas” no arbusto nascendo separadas —

essas cores são da mesma flor, que vai mudando ao longo do dia. Essa mudança não é decorativa: tem função ecológica.

 

E por que o manacá muda de cor? 🤨

 

Vamos lá. A variação da cor da flor ao longo do dia é uma sinalização para o polinizador.

A flor funciona como uma placa luminosa dizendo:

Roxo (manhã): “aqui tem pólen e néctar fresquinhos — venham, borboletas!”

Branco (noite): “mais néctar e produção de perfume para acompanhar— mariposas, a casa está aberta!”

É uma dupla de polinizadores bastante complementar e com comportamento de polinização distintos. E o mais importante, é que ela atende a todos.

Caso queira atrair borboletas e mariposas a noite no seu jardim, é o manacá-de-cheiro que você deve plantar.

 

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