COP30: do compromisso à prática na Amazônia

A COP30, realizada em Belém em 2025, não terminou quando as delegações deixaram a Amazônia. Como acontece em todas as grandes conferências climáticas, o que realmente importa começa depois: a implementação — ou não — dos compromissos assumidos.
Nos últimos dias, algumas atualizações oficiais apontam para sinais iniciais de mudança, especialmente no contexto amazônico. Ainda é cedo para celebrar, mas os dados merecem atenção cuidadosa.

🌳Queda do desmatamento no Pará: um sinal encorajador

Relatórios recentes indicam uma redução significativa do desmatamento no estado do Pará em 2025, um dos epicentros históricos da destruição florestal na Amazônia.
Essa redução é atribuída à combinação de:
- fortalecimento da fiscalização ambiental,
- maior visibilidade internacional após a COP30,
- pressão institucional e social por resultados concretos,
- integração de políticas ambientais com estratégias de desenvolvimento local.

Do ponto de vista ecológico, esse dado é fundamental. Menos desmatamento significa:
- menos fragmentação de habitats,
- maior conectividade ecológica e
- maior chance de manutenção das interações biológicas — como a polinização — que sustentam os ecossistemas amazônicos.
💰 Bioeconomia: recursos começam a se mover

Outra atualização relevante é a confirmação de mais de US$ 10 bilhões em compromissos financeiros destinados a projetos de bioeconomia https://bit.ly/3N8k04J, restauração florestal e soluções baseadas na natureza no Brasil.

Esses recursos, discutidos e articulados durante a COP30, incluem:
- apoio a cadeias produtivas da floresta em pé,
- fortalecimento de cooperativas extrativistas,
- financiamento de inovação científica e tecnológica,
- estímulo a modelos econômicos menos dependentes do desmatamento.

A bioeconomia aparece, novamente, como uma alternativa concreta, mas seu sucesso dependerá da governança, do controle social e da distribuição justa desses investimentos.

🌍 Mercado de carbono: negociações seguem em curso

Entre os desdobramentos pós-COP30, avança a discussão sobre uma coalizão internacional para mercados regulados de carbono, envolvendo Brasil, União Europeia e China.
Embora ainda em fase de negociação, essa iniciativa pode:
- redefinir mecanismos de precificação de carbono,
- gerar recursos para conservação florestal,
- influenciar políticas ambientais nacionais e regionais.
Aqui, o alerta ecológico é claro: mercados de carbono só fazem sentido se estiverem associados à proteção real dos ecossistemas, e não apenas à compensação contábil de emissões.
🐝 A leitura pela Ecologia Sistêmica
Essas atualizações reforçam um ponto central defendido no Quem Poliniza: clima, biodiversidade, economia e sociedade formam um sistema interdependente.
Reduzir desmatamento, investir em bioeconomia e reorganizar fluxos financeiros não são ações isoladas. Elas afetam:
- a reprodução das plantas,
- a disponibilidade de recursos para polinizadores,
- as redes tróficas,
- a resiliência dos ecossistemas amazônicos.

Quando a floresta permanece em pé, as interações ecológicas continuam funcionando. Quando essas interações se rompem, os efeitos em cascata ultrapassam qualquer fronteira política ou econômica.
⚠️Mas, Ainda não é hora de comemorar
Apesar dos sinais positivos, é fundamental manter uma postura crítica: compromissos financeiros precisam sair do papel, dados de desmatamento exigem monitoramento contínuo, políticas ambientais precisam resistir a mudanças de governo, povos indígenas e comunidades tradicionais devem ser protagonistas, não figurantes.
A COP30 abriu uma janela de oportunidade. O risco agora é deixá-la se fechar lentamente, sob o peso da burocracia, dos interesses econômicos e da falta de continuidade política.

Os primeiros desdobramentos pós-COP30 mostram que mudanças são possíveis, mas não automáticas. A Amazônia responde rapidamente tanto à destruição quanto à proteção.
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Do ponto de vista ecológico, cada hectare preservado significa:

- mais flores,
- mais polinizadores,
- mais frutos,
- mais vida circulando nas redes da floresta.
A pergunta que fica não é se sabemos o que fazer.
É se teremos constância para fazer.
SAIBA MAIS
United Nations Framework Convention on Climate Change. COP30 – Climate Change Conference.
2025. Disponível em: https://unfccc.int

